As radiografias a seguir mostram fraturas bilaterais do fêmur distal 6 meses após fixação com placas bloqueadas em ponte, deixando fenda residual no foco. O quadro e sua causa mais provável são

- pseudartrose hipertrófica, por construto rígido.
- pseudartrose hipertrófica, por excesso de mobilidade.
- pseudartrose atrófica, por excesso de mobilidade.
- pseudartrose atrófica, por construto excessivamente rígido.
Ver gabarito e conceito-chave
Conceito-chave
Pseudartrose também é um problema mecânico. O Rockwood (capítulo 1, Delayed Union and Nonunion) descreve duas falhas opostas da consolidação natural, cada uma ligada a um extremo do ambiente mecânico. A fratura consolida com calo quando há movimento controlado; se o movimento é excessivo, o calo não consegue fazer a ponte; se o movimento é insuficiente na presença de fenda, o calo nem chega a se formar.
Pseudartrose hipertrófica: movimento demais. Quando o foco é instável, o movimento interfragmentário rompe os tecidos em formação. O organismo responde depositando mais cartilagem para tentar controlar o movimento, e o calo fica cada vez mais largo. Se a deformação ultrapassa o que os tecidos toleram, deposita-se tecido fibroso, que aceita deformações de até cerca de 60%. Se ainda assim a fratura não une, surge a pseudartrose hipertrófica típica: muito calo, mas sem ponte entre os fragmentos. O limite superior de movimento compatível com a consolidação não é conhecido; animais consolidaram com até 6 mm e tíbias com órtese, com 4 mm.
Pseudartrose atrófica: rigidez demais com fenda. Quando sobra uma fenda no foco e o construto é rígido demais, o movimento é insuficiente para estimular o calo. A fratura não tem contato para consolidar diretamente e não tem estímulo para consolidar com calo. O resultado é retardo de consolidação ou pseudartrose atrófica, com pouco ou nenhum calo.
De onde vem esse cenário hoje. O capítulo explica que a ênfase atual na osteossíntese biológica aceita deixar fendas residuais para não lesar a biologia com a redução anatômica e a compressão de cada fragmento. Se essa fenda é estabilizada com um construto rígido, como uma placa bloqueada, falta o movimento que estimularia o calo. Clinicamente, as placas bloqueadas usadas com técnica biológica no fêmur distal têm taxa de pseudartrose de quase 20%.
Por que a placa bloqueada é rígida demais junto ao osso. O capítulo (Stiffness of Plate Constructs) mostra que, sob carga, a placa bloqueada permite algum movimento na cortical oposta à placa, onde o calo tende a se formar, mas quase nenhum movimento logo abaixo da placa. Aumentar o comprimento de trabalho, omitindo parafusos perto do foco, aumenta o movimento só do lado oposto e acrescenta cisalhamento, que atrapalha o calo. Placas de compressão e placas bloqueadas produzem ambientes várias vezes mais rígidos que hastes e fixadores externos.
Lendo a imagem (Figura 1-19). As radiografias mostram as duas fraturas do fêmur distal, cada uma fixada com placa bloqueada lateral em ponte, 6 meses depois da cirurgia. As fendas continuam visíveis e falta o calo periosteal que se esperaria numa consolidação natural progredindo. É a combinação descrita pelo livro: técnica biológica, fenda residual e construto excessivamente rígido, com evolução para pseudartrose atrófica bilateral.
| Tipo | Ambiente mecânico | Aspecto |
|---|---|---|
| Hipertrófica | movimento excessivo | calo abundante, sem ponte |
| Atrófica (cenário mecânico do capítulo) | construto rígido com fenda | pouco ou nenhum calo, fenda persistente |
A lição do capítulo. Antes de escolher o implante, o cirurgião deve decidir qual modo de consolidação quer obter. Misturar estratégias, como usar parafuso de tração dentro de um construto de estabilidade relativa, não sustenta bem nenhum dos dois modos e pode resultar em pseudartrose.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
Ver o comentário completo