Na fratura do enforcado tipo Ia, descrita por STARR e EISMONT, a maior frequência de déficit neurológico se explica porque
- o traço passa pela parede posterior do corpo de C2 de um lado, e o fragmento estreita o canal.
- há luxação associada das facetas de C2-C3.
- o mecanismo de flexão-distração rompe o disco C2-C3.
- o traço separa o odontoide do corpo de C2.
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Conceito-chave
Na variante Ia da fratura do enforcado, um fragmento pode avançar para dentro do canal em vez de simplesmente ampliar o espaço. É esse estreitamento pelo traço que atravessa a parede posterior do corpo de C2 que explica a maior frequência de déficit neurológico.
A fratura do enforcado clássica rompe bilateralmente a pars interarticularis de C2. No Ia de Starr e Eismont, um dos traços passa pelo corpo posterior e permanece em continuidade com um fragmento da pars. O complexo pode se deslocar para trás e ocupar o canal, ao contrário do alargamento habitual. A localização exata do traço, portanto, muda o risco neurológico (Rockwood, 10ª ed., cap. 48, “Levine e Edwards”).
Não confunda a variante Ia com o tipo IIa. No IIa, o destaque é angulação acentuada com translação mínima, e a tração é evitada porque pode piorar a deformidade. Já o tipo III é identificado pela luxação facetária C2–C3. Letras e números próximos representam lesões distintas.
Os autores descrevem colar rígido para I e Ia sem lesão medular; a presença de comprometimento neurológico muda essa seleção. Não se deve concluir que toda fratura denominada enforcado tenha canal amplo e seja neurologicamente inofensiva.
Por que esta questão foi criada. A variante mostra uma exceção anatômica que muda o risco medular: reconhecer o enforcado não basta, é preciso verificar o trajeto do traço e o canal.
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